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Referência: KM# 480
Série: Moeda de prata comemorativa emitida pelo México em 1972 para celebrar o centenário da morte de Benito Juárez, uma das figuras fundamentais da história política mexicana do século XIX.
Anverso: Escudo Nacional do México, apresentando a tradicional águia mexicana sobre um cacto, segurando uma serpente com o bico e a garra. Ao redor encontra-se o nome oficial do país.
ESTADOS UNIDOS MEXICANOS
Reverso: Retrato frontal de Benito Pablo Juárez García. Acima aparece o valor facial e, abaixo, o teor da prata, a marca da Casa da Moeda e o ano de emissão.
VEINTICINCO PESOS
LEY 0.720 Mo 1972
Benito Pablo Juárez García nasceu em 1806, no estado de Oaxaca, e tornou-se uma das figuras mais importantes da formação do México moderno.
De origem indígena zapoteca, Juárez nasceu em uma família camponesa e ficou órfão ainda criança. Sua trajetória até alcançar a presidência tornou-se um dos episódios mais emblemáticos da história política latino-americana.
Formou-se em Direito, ingressou na política e destacou-se entre os liberais mexicanos que defendiam a construção de um Estado republicano, constitucional e secular.
A trajetória de Benito Juárez foi excepcional: de origem indígena zapoteca e nascido em condições humildes em Oaxaca, tornou-se advogado, governador e finalmente Presidente do México.
Juárez esteve diretamente ligado ao movimento conhecido como La Reforma, que buscava transformar profundamente a estrutura política e social mexicana.
As chamadas Leis da Reforma reduziram os privilégios institucionais da Igreja Católica e das forças armadas, promoveram a secularização de propriedades e reforçaram a separação entre Igreja e Estado.
Essas reformas provocaram enorme oposição dos setores conservadores e contribuíram para a Guerra da Reforma, conflito civil travado entre liberais e conservadores entre 1858 e 1861.
Juárez tornou-se o principal símbolo político do campo liberal e conseguiu preservar o governo constitucional durante o conflito.
Logo após a Guerra da Reforma, o México enfrentaria outra enorme crise: a intervenção francesa.
Em 1861, diante das dificuldades financeiras do país, Juárez suspendeu temporariamente pagamentos da dívida externa. França, Reino Unido e Espanha enviaram forças ao México para pressionar pelo pagamento.
Britânicos e espanhóis posteriormente chegaram a um acordo e retiraram suas tropas, mas o imperador francês Napoleão III decidiu prosseguir com a intervenção.
O objetivo francês ultrapassava a questão financeira: Napoleão III pretendia estabelecer no México uma monarquia alinhada à França.
Em 1864, o arquiduque austríaco Maximiliano de Habsburgo aceitou a coroa do recém-criado Segundo Império Mexicano, apoiado pela França e por setores conservadores mexicanos.
Juárez recusou-se a reconhecer o novo regime e manteve o governo republicano em movimento pelo território mexicano, transformando-se no principal símbolo da resistência à intervenção estrangeira.
Com o término da Guerra Civil Americana, os Estados Unidos intensificaram a pressão diplomática sobre a França. Ao mesmo tempo, os custos da campanha mexicana tornavam-se cada vez maiores.
Napoleão III retirou progressivamente suas tropas, deixando Maximiliano sem o apoio militar necessário para sustentar o Império.
Durante a intervenção francesa, o México chegou a possuir simultaneamente um imperador, Maximiliano de Habsburgo, e um governo republicano liderado por Benito Juárez. A vitória republicana transformaria Juárez em símbolo da soberania nacional mexicana.
Em 1867, as forças republicanas derrotaram definitivamente o Segundo Império Mexicano.
Maximiliano foi capturado em Querétaro, julgado por um tribunal militar e executado por fuzilamento em 19 de junho de 1867, juntamente com os generais Miguel Miramón e Tomás Mejía.
Juárez retornou à Cidade do México e restaurou plenamente a República.
A derrota da intervenção francesa consolidou sua imagem como defensor da independência e da soberania mexicana.
Benito Juárez morreu em 18 de julho de 1872, enquanto ainda exercia a Presidência do México.
Exatamente um século depois, em 1972, o México emitiu esta moeda de 25 Pesos para celebrar o centenário de sua morte.
A escolha de Juárez para uma grande emissão comemorativa de prata reflete sua importância na memória nacional mexicana, especialmente como defensor da República diante da intervenção estrangeira.
A data de 1972 não é casual: marca exatamente 100 anos da morte de Benito Juárez, ocorrida em 18 de julho de 1872.
A inscrição LEY 0.720 encontrada no reverso indica diretamente o teor metálico da moeda.
Na tradição monetária hispânica e latino-americana, a palavra “ley” é utilizada para indicar a pureza do metal precioso.
Assim:
LEY 0.720 = 720 partes de prata em cada 1.000
Prata 720‰ = 72% prata
O peso padrão da moeda era de 22,50 g, correspondendo a aproximadamente 16,20 g de prata fina.
Este exemplar apresenta peso aferido de 22,41 g, equivalente a aproximadamente 16,14 g de prata fina.
A pequena marca Mo presente no reverso identifica a Casa de Moneda de México, localizada na Cidade do México.
Fundada em 1535 por ordem da Coroa Espanhola, a Casa da Moeda mexicana é considerada a mais antiga casa da moeda das Américas.
Durante séculos, suas moedas de prata circularam não apenas na América, mas também na Europa e na Ásia, transformando a prata mexicana em uma das bases do comércio internacional.
A pequena marca “Mo” liga esta moeda moderna a uma tradição iniciada em 1535. A Casa de Moneda de México produziu durante séculos algumas das moedas de prata mais importantes do comércio mundial.
O anverso apresenta um dos símbolos nacionais mais reconhecidos do mundo: a águia mexicana sobre um nopal, segurando uma serpente.
A imagem está ligada à tradição sobre a fundação de Tenochtitlán. Segundo a narrativa tradicional mexica, seu povo deveria estabelecer sua cidade no local onde encontrasse uma águia pousada sobre um cacto.
O símbolo atravessou séculos de história e tornou-se elemento central do brasão e da bandeira do México.
Sua presença no anverso conecta a moeda comemorativa de Benito Juárez tanto à história republicana do século XIX quanto às raízes pré-hispânicas da identidade mexicana.
O bordo desta moeda apresenta a inscrição:
INDEPENDENCIA Y LIBERTAD
“Independência e Liberdade”
A frase possui forte significado dentro da tradição política mexicana e combina particularmente bem com a homenagem a Benito Juárez.
Juárez tornou-se símbolo da defesa da independência nacional durante a intervenção francesa e da preservação da República contra a tentativa de implantação de uma monarquia estrangeira.
Além do significado político, bordos inscritos possuem longa tradição numismática e também dificultavam alterações clandestinas na periferia das moedas de metal precioso.
“INDEPENDENCIA Y LIBERTAD” resume de maneira especialmente apropriada o personagem homenageado: Juárez liderou a resistência republicana durante a intervenção francesa e tornou-se um dos maiores símbolos mexicanos de soberania nacional.
Benito Juárez ficou associado a uma das frases políticas mais conhecidas da história latino-americana, pronunciada em 1867 após a restauração da República:
“Entre los individuos, como entre las naciones, el respeto al derecho ajeno es la paz.”
“Entre os indivíduos, assim como entre as nações, o respeito ao direito alheio é a paz.”
A frase tornou-se uma síntese do pensamento político atribuído a Juárez e permanece amplamente conhecida no México.
Emitidos em 1972, os 25 Pesos de Benito Juárez unem três elementos centrais da história mexicana: as raízes representadas pelo antigo símbolo da águia sobre o nopal, a República defendida por Juárez diante da intervenção francesa e o lema “INDEPENDENCIA Y LIBERTAD” gravado no próprio bordo da moeda.
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