Antes de Portugal: a Economia da Reciprocidade
Muito antes da primeira nau, o valor era medido por relações sociais. Os povos indígenas utilizavam o escambo não por ausência de um sistema monetário, mas sim porque essa prática era mais adequada ao seu modo de vida. Esse sistema de troca perdurou com a chegada dos portugueses, e diversos itens – além do famoso pau-brasil – eram utilizados como "dinheiro social". Entre eles, estavam o zimbo (conchas), penas coloridas, sementes, peles, panos de algodão, fumo, cerâmicas, sal e açúcar. Ao contrário do metal europeu, o valor desses bens estava intrinsecamente ligado à utilidade e à dificuldade de sua obtenção, e não à sua raridade artificial.
Esse sistema complexo contrastava totalmente com a mentalidade mercantilista dos europeus, que consideravam o ouro e a prata como os únicos detentores de poder real.