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Referências: KM# 84; AKS# 94; J# 358; Schön# 77
Anverso: Águia alemã estilizada de asas abertas. Ao redor encontra-se a inscrição DEUTSCHES REICH e o valor facial 2 REICHSMARK.
DEUTSCHES REICH
2 REICHSMARK
Reverso: Retrato de perfil do poeta e dramaturgo Friedrich Schiller voltado para a esquerda. Ao redor encontra-se seu nome e, abaixo, os anos comemorativos, com a marca F da Casa da Moeda de Stuttgart.
FRIEDRICH SCHILLER
1759 F 1934
Emitido em 1934, este 2 Reichsmark celebra os 175 anos do nascimento de Friedrich Schiller, um dos maiores escritores da língua alemã e uma das figuras centrais da literatura europeia dos séculos XVIII e XIX.
Poeta, dramaturgo, filósofo e historiador, Schiller pertenceu ao extraordinário ambiente intelectual que transformou a literatura e o pensamento alemães no final do século XVIII.
Sua obra atravessou fronteiras e séculos, influenciando literatura, teatro, filosofia e música. Uma de suas poesias alcançaria dimensão ainda maior ao ser utilizada por Ludwig van Beethoven no movimento final de sua célebre Nona Sinfonia.
Schiller não aparece nesta moeda apenas como escritor alemão. Sua obra tornou-se parte da cultura europeia e uma de suas poesias acabaria ligada a um dos símbolos modernos da própria Europa.
Johann Christoph Friedrich von Schiller nasceu em 10 de novembro de 1759, em Marbach am Neckar, no Ducado de Württemberg.
Inicialmente estudou medicina em uma academia militar criada pelo duque Karl Eugen de Württemberg, mas seu interesse pela literatura e pelo teatro acabaria definindo sua trajetória.
Ainda jovem escreveu Die Räuber – Os Bandoleiros, drama que causou enorme repercussão quando apresentado em Mannheim em 1782.
A obra, marcada pela rebeldia contra a autoridade e pelas tensões entre liberdade individual e ordem social, tornou Schiller uma das figuras importantes do movimento literário alemão conhecido como Sturm und Drang.
A relação intelectual entre Schiller e Johann Wolfgang von Goethe tornou-se uma das mais famosas da história da literatura.
A partir da década de 1790, os dois escritores desenvolveram intensa amizade e colaboração intelectual em Weimar.
Desse ambiente surgiu aquilo que posteriormente seria conhecido como Classicismo de Weimar – Weimarer Klassik, movimento que buscava conciliar razão, beleza, liberdade e os ideais humanistas da Antiguidade clássica.
Goethe e Schiller tornaram-se tão associados à cultura alemã que suas figuras aparecem juntas no famoso monumento diante do Teatro Nacional de Weimar, inaugurado em 1857.
Schiller escreveu algumas das peças mais importantes do teatro alemão, frequentemente abordando liberdade, poder, justiça, moralidade e conflitos entre o indivíduo e o Estado.
Entre suas obras mais conhecidas encontram-se Die Räuber (Os Bandoleiros), Don Carlos, a trilogia Wallenstein, Maria Stuart e Wilhelm Tell (Guilherme Tell).
Esta última, apresentada em 1804, transformou a lendária figura do arqueiro suíço Guilherme Tell em símbolo universal da resistência à tirania.
O bordo desta moeda possui um detalhe especialmente interessante: apresenta uma frase retirada da obra Wilhelm Tell (Guilherme Tell), de Friedrich Schiller.
ANS VATERLAND ANS TEURE SCHLIESS DICH AN
“À pátria, à pátria querida, mantém-te unido”
A inscrição estabelece uma ligação direta entre a moeda e a obra do escritor homenageado. Wilhelm Tell, apresentada em 1804, aborda temas como liberdade, resistência à opressão e união em defesa da terra natal.
A frase faz parte de uma passagem célebre da peça e sua escolha para o bordo transforma um elemento normalmente secundário da moeda em parte essencial da homenagem a Schiller.
Assim como no 2 Reichsmark dedicado a Martinho Lutero, o bordo desta emissão não recebeu uma inscrição genérica: foi escolhida uma frase diretamente relacionada à obra do personagem homenageado.
Talvez nenhuma obra de Schiller tenha alcançado projeção internacional tão extraordinária quanto o poema “An die Freude” – “Ode à Alegria”, escrito em 1785.
Décadas depois, Ludwig van Beethoven utilizou partes do poema no movimento final de sua Sinfonia nº 9, apresentada pela primeira vez em Viena em 1824.
A combinação entre os versos de Schiller e a música de Beethoven tornou-se uma das composições mais reconhecidas da música ocidental.
Uma curiosa ligação histórica: a moeda homenageia um poeta alemão do século XVIII, mas os versos de sua “Ode à Alegria”, musicados por Beethoven, acabariam associados séculos depois à própria ideia de unidade europeia.
Em 1972, o Conselho da Europa adotou como seu hino um arranjo instrumental do tema da “Ode à Alegria” da Nona Sinfonia de Beethoven.
Em 1985, a então Comunidade Europeia também adotou a composição, posteriormente mantida pela União Europeia.
O hino europeu é instrumental, não utilizando oficialmente o texto de Schiller, mas sua origem permanece diretamente ligada ao poema escrito quase dois séculos antes.
A emissão desta moeda ocorreu em 1934, apenas um ano após Adolf Hitler assumir o cargo de chanceler da Alemanha.
Durante aquele período, o regime nacional-socialista avançava rapidamente na eliminação das instituições democráticas herdadas da República de Weimar e na concentração do poder político.
Apesar de pertencer cronologicamente ao Terceiro Reich, a moeda ainda utiliza uma iconografia monetária sem a suástica que apareceria em diversas emissões alemãs posteriores.
A águia apresentada no anverso segue a tradição heráldica alemã anterior à adoção sistemática da nova simbologia política nas moedas.
O ano da emissão também marcou a morte do presidente Paul von Hindenburg, em agosto de 1934.
Após sua morte, Hitler combinou as funções políticas de presidente e chanceler, consolidando ainda mais seu controle sobre o Estado alemão.
Dessa forma, esta homenagem a um dos maiores representantes da cultura alemã foi cunhada justamente durante um dos momentos de mais rápida transformação política da história do país.
Existe um forte contraste histórico nesta emissão: uma moeda dedicada a Schiller, escritor cuja obra frequentemente tratou de liberdade e resistência à tirania, foi produzida em 1934, justamente durante a consolidação da ditadura nacional-socialista na Alemanha.
A letra F presente entre as datas identifica a Casa da Moeda de Stuttgart.
A Alemanha utiliza tradicionalmente letras para distinguir suas diferentes oficinas monetárias, e a marca F permanece associada a Stuttgart até os dias atuais.
A localização possui ainda uma interessante ligação regional com o homenageado: Schiller nasceu em Marbach am Neckar, relativamente próxima de Stuttgart.
Ao contrário de diversas moedas alemãs de circulação produzidas aos milhões, o 2 Reichsmark Friedrich Schiller de 1934F teve emissão relativamente limitada.
Foram cunhados apenas 300.000 exemplares para circulação, além de uma pequena quantidade em acabamento especial.
A combinação entre baixa tiragem, importância histórica do personagem e emissão em uma única casa da moeda torna o tipo especialmente interessante entre as moedas comemorativas alemãs do período.
Este 2 Reichsmark de 1934 homenageia Friedrich Schiller, um dos maiores escritores alemães. Do bordo com uma frase de “Guilherme Tell” aos versos da “Ode à Alegria” posteriormente imortalizados por Beethoven, a peça reúne literatura, música e história europeia em uma emissão de apenas 300.000 exemplares.
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