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Moeda de prata, 2 Reichsmark (1934F) – Friedrich Schiller – 175 Anos de seu Nascimento – Alemanha

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🪙 Lote 967

2 Reichsmark (1934F) – Friedrich Schiller – 175 Anos de seu Nascimento – Alemanha

Referências: KM# 84; AKS# 94; J# 358; Schön# 77


Dados Numismáticos

  • País: Alemanha – Deutsches Reich
  • Ano: 1934
  • Personagem: Friedrich Schiller (1759–1805)
  • Evento: 175º aniversário do nascimento de Friedrich Schiller
  • Tipo: Moeda comemorativa de circulação
  • Valor Facial: 2 Reichsmark
  • Metal: Prata 625‰
  • Peso: 8,0 g
  • Diâmetro: 24,9 mm
  • Espessura: 2,1 mm
  • Marca da Casa da Moeda (Ceca): F – Stuttgart
  • Bordo: Liso com inscrição em relevo: “ANS VATERLAND ANS TEURE SCHLIESS DICH AN” (“À pátria, à pátria querida, mantém-te unido”)

Descrição Numismática

Anverso: Águia alemã estilizada de asas abertas. Acima encontra-se a inscrição DEUTSCHES REICH e abaixo o valor facial 2 REICHSMARK, separados por folhas de carvalho.

DEUTSCHES REICH
2 REICHSMARK

Reverso: Retrato de perfil do poeta e dramaturgo Friedrich Schiller voltado para a esquerda. Ao redor encontra-se seu nome e, abaixo, os anos 1759 – 1934, com a marca F da Casa da Moeda de Stuttgart entre as datas.

FRIEDRICH SCHILLER
1759 F 1934

A Inscrição no Bordo

O bordo da moeda apresenta a inscrição “ANS VATERLAND ANS TEURE SCHLIESS DICH AN”, extraída da célebre peça Wilhelm Tell (Guilherme Tell), de Friedrich Schiller.

ANS VATERLAND ANS TEURE SCHLIESS DICH AN

“À pátria, à pátria querida, mantém-te unido”

A escolha da frase cria uma ligação direta entre a moeda e a obra do escritor homenageado. Wilhelm Tell, apresentada em 1804, aborda temas como liberdade, resistência à opressão e união em defesa da terra natal.

Assim como no 2 Reichsmark de Martinho Lutero, o bordo desta emissão não recebeu uma inscrição genérica: foi escolhida uma frase diretamente relacionada à obra do personagem homenageado.

Contexto Histórico

Emitido em 1934, este 2 Reichsmark celebra os 175 anos do nascimento de Friedrich Schiller, um dos maiores escritores da língua alemã e uma das figuras centrais da literatura europeia dos séculos XVIII e XIX.

Poeta, dramaturgo, filósofo e historiador, Schiller pertenceu ao extraordinário ambiente intelectual que transformou a literatura e o pensamento alemães no final do século XVIII.

Sua obra atravessou fronteiras e séculos, influenciando literatura, teatro, filosofia e música. Uma de suas poesias alcançaria uma dimensão ainda maior ao ser utilizada por Ludwig van Beethoven no movimento final de sua célebre Nona Sinfonia.

Schiller não aparece nesta moeda apenas como escritor alemão. Sua obra tornou-se parte da cultura europeia e uma de suas poesias acabaria ligada a um dos símbolos modernos da própria Europa.

Friedrich Schiller

Johann Christoph Friedrich von Schiller nasceu em 10 de novembro de 1759, em Marbach am Neckar, no Ducado de Württemberg.

Inicialmente estudou medicina em uma academia militar criada pelo duque Karl Eugen de Württemberg, mas seu interesse pela literatura e pelo teatro acabaria definindo sua trajetória.

Ainda jovem escreveu Die Räuber – Os Bandoleiros, drama que causou enorme repercussão quando apresentado em Mannheim em 1782.

A obra, marcada pela rebeldia contra a autoridade e pelas tensões entre liberdade individual e ordem social, tornou Schiller uma das figuras importantes do movimento literário alemão conhecido como Sturm und Drang.


Sturm und Drang

O Sturm und Drang – “Tempestade e Ímpeto” foi um movimento literário alemão do final do século XVIII que valorizava emoção, liberdade individual, intensidade dramática e contestação das rígidas convenções sociais e artísticas.

Jovens escritores alemães passaram a desafiar os modelos tradicionais e a enfatizar personagens movidos por paixões, conflitos morais e desejos de liberdade.

Schiller e o jovem Johann Wolfgang von Goethe tornaram-se dois dos nomes mais associados a essa transformação da literatura alemã.


Schiller e Goethe

A relação intelectual entre Schiller e Goethe tornou-se uma das mais famosas da história da literatura.

A partir da década de 1790, os dois escritores desenvolveram intensa amizade e colaboração intelectual em Weimar.

Desse ambiente surgiu aquilo que posteriormente seria conhecido como Classicismo de Weimar – Weimarer Klassik, movimento que buscava conciliar razão, beleza, liberdade e os ideais humanistas da Antiguidade clássica.

Goethe e Schiller tornaram-se tão associados à cultura alemã que suas figuras aparecem juntas no famoso monumento diante do Teatro Nacional de Weimar, inaugurado em 1857.

As Grandes Obras de Schiller

Schiller escreveu algumas das peças mais importantes do teatro alemão, frequentemente abordando liberdade, poder, justiça, moralidade e conflitos entre o indivíduo e o Estado.

Entre suas obras mais conhecidas encontram-se Die Räuber (Os Bandoleiros), Don Carlos, a trilogia Wallenstein, Maria Stuart e Wilhelm Tell (Guilherme Tell).

Esta última, apresentada em 1804, transformou a lendária figura do arqueiro suíço Guilherme Tell em símbolo universal da resistência à tirania.


“Ode à Alegria”

Talvez nenhuma obra de Schiller tenha alcançado projeção internacional tão extraordinária quanto o poema “An die Freude” – “Ode à Alegria”, escrito em 1785.

Décadas depois, Ludwig van Beethoven utilizou partes do poema no movimento final de sua Sinfonia nº 9, apresentada pela primeira vez em Viena em 1824.

A combinação entre os versos de Schiller e a música de Beethoven tornou-se uma das composições mais reconhecidas da música ocidental.

Uma curiosa ligação histórica: a moeda homenageia um poeta alemão do século XVIII, mas os versos de sua “Ode à Alegria”, musicados por Beethoven, acabariam associados séculos depois à própria ideia de unidade europeia.

Da Poesia ao Hino Europeu

Em 1972, o Conselho da Europa adotou como seu hino um arranjo instrumental do tema da “Ode à Alegria” da Nona Sinfonia de Beethoven.

Em 1985, a então Comunidade Europeia também adotou a composição, posteriormente mantida pela União Europeia como seu hino oficial.

O hino europeu é instrumental, não utilizando oficialmente o texto de Schiller, mas sua origem permanece diretamente ligada ao poema escrito quase dois séculos antes.

Assim, Schiller acabou associado não apenas à literatura alemã, mas também a um dos símbolos culturais mais reconhecidos da Europa contemporânea.


1934 – Uma Alemanha em Transformação

A emissão desta moeda ocorreu em 1934, apenas um ano após Adolf Hitler assumir o cargo de chanceler da Alemanha.

Durante aquele período, o regime nacional-socialista avançava rapidamente na eliminação das instituições democráticas herdadas da República de Weimar e na concentração do poder político.

Apesar de pertencer cronologicamente ao Terceiro Reich, a moeda ainda utiliza uma iconografia monetária sem a suástica que apareceria em diversas emissões alemãs posteriores.

A águia apresentada no anverso segue a tradição heráldica alemã anterior à adoção sistemática da nova simbologia política nas moedas.


1934 – A Morte de Hindenburg

O ano da emissão também marcou a morte do presidente Paul von Hindenburg, em agosto de 1934.

Após sua morte, Hitler combinou as funções políticas de presidente e chanceler, consolidando ainda mais seu controle sobre o Estado alemão.

Dessa forma, esta homenagem a um dos maiores representantes da cultura alemã foi cunhada justamente durante um dos momentos de mais rápida transformação política da história do país.

Existe um forte contraste histórico nesta emissão: uma moeda dedicada a Schiller, escritor cuja obra frequentemente tratou de liberdade e resistência à tirania, foi produzida em 1934, justamente durante a consolidação da ditadura nacional-socialista na Alemanha.

A Marca “F” – Stuttgart

A letra F presente entre as datas 1759 – 1934 identifica a Casa da Moeda de Stuttgart.

A Alemanha utiliza tradicionalmente letras para distinguir suas diferentes oficinas monetárias. A marca F permanece associada a Stuttgart até os dias atuais.

A escolha possui ainda uma interessante ligação regional: Schiller nasceu em Marbach am Neckar, localidade situada no atual estado de Baden-Württemberg e próxima de Stuttgart.


Uma Emissão de Apenas 300.000 Exemplares

Ao contrário de diversas moedas alemãs de circulação produzidas aos milhões, o 2 Reichsmark Friedrich Schiller de 1934F teve uma emissão relativamente limitada.

Foram cunhados 300.000 exemplares destinados à circulação, além de uma pequena emissão especial em acabamento Proof.

A combinação entre baixa tiragem, tema cultural de grande importância e emissão em uma única casa da moeda torna o tipo especialmente interessante dentro das moedas comemorativas alemãs do período. :contentReference[oaicite:1]{index=1}


Curiosidades

  • A moeda comemora os 175 anos do nascimento de Friedrich Schiller.
  • Schiller nasceu em 1759, em Marbach am Neckar.
  • Foi poeta, dramaturgo, filósofo e historiador.
  • É um dos principais nomes do Classicismo de Weimar.
  • Manteve uma célebre amizade e colaboração intelectual com Johann Wolfgang von Goethe.
  • Entre suas obras encontram-se Os Bandoleiros, Don Carlos, Wallenstein, Maria Stuart e Guilherme Tell.
  • Schiller escreveu o poema “Ode à Alegria”.
  • Beethoven utilizou seus versos no movimento final da Nona Sinfonia.
  • O tema musical da “Ode à Alegria” tornou-se posteriormente o Hino Europeu.
  • A marca F identifica a Casa da Moeda de Stuttgart.
  • A emissão regular foi de apenas 300.000 exemplares.
  • A moeda foi emitida em 1934, durante a consolidação do regime nacional-socialista.
  • Apesar do período, sua iconografia ainda não apresenta a suástica.
  • Trata-se de uma moeda comemorativa de circulação.
Este 2 Reichsmark de 1934 homenageia Friedrich Schiller, um dos maiores escritores alemães e autor dos versos que, musicados por Beethoven, atravessariam os séculos até se tornarem associados ao Hino Europeu. Cunhada em Stuttgart em uma emissão de apenas 300.000 exemplares, a peça reúne literatura, música, história europeia e um dos períodos políticos mais marcantes da Alemanha do século XX.

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