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Atribuição: Povo Bamun (Bamum) – Reino de Bamum, Camarões
Estrutura: Grande bracelete penanular em liga de cobre, de construção maciça visualmente, porém produzido por fundição oca. O corpo largo apresenta abertura frontal e grandes protuberâncias arredondadas distribuídas pela superfície externa, conferindo à peça forte presença escultórica.
BAMUN / BAMUM · BRACELET CURRENCY · CAMARÕES
Decoração: A superfície apresenta rica ornamentação geométrica formada por círculos concêntricos, linhas paralelas, pontilhados, motivos entrelaçados e perfurações. A decoração se distribui por praticamente toda a face externa, contrastando com a superfície interna mais lisa.
Fabricação: O complexo formato tridimensional, incluindo cavidade interna, perfurações, relevos e decoração, é característico da sofisticada tradição Bamun de fundição em cera perdida.
Os Bamun ou Bamum desenvolveram um importante reino na região dos Grassfields, no atual Camarões, tendo Foumban como seu principal centro político e artístico. A corte Bamun tornou-se particularmente conhecida pela produção de esculturas, cachimbos, objetos cerimoniais e grandes peças fundidas em ligas de cobre.
O desenvolvimento dessas artes ganhou grande impulso durante o reinado do Fon Ibrahim Njoya (c. 1873–1933). No final do século XIX e início do século XX, Njoya transformou Foumban em importante centro de produção artesanal, incentivando metalúrgicos, escultores, tecelões e ceramistas.
A tradição Bamun de fundição em cera perdida teria recebido influência dos povos Tikar vizinhos. Os artesãos de Foumban aperfeiçoaram a técnica, tornando-se especialmente reconhecidos pela produção de grandes objetos em bronze e latão, entre eles os elaborados braceletes como este exemplar.
Mais que simples adornos, os grandes braceletes Bamun em liga de cobre funcionavam como objetos de prestígio e formas de riqueza. Exemplares deste tipo também são classificados como “bracelet currency”, utilizados para armazenar e transferir valor em ocasiões importantes.
Embora tradicionalmente classificados como moeda-bracelete, esses objetos não devem ser entendidos como moedas no sentido moderno. Seu valor estava relacionado à quantidade de metal, ao trabalho especializado necessário para sua produção, à aceitação social e ao prestígio associado à posse da peça.
Entre os Bamun, exemplares particularmente grandes e elaborados estavam associados principalmente às camadas de maior prestígio da sociedade. Assim, o objeto podia reunir simultaneamente funções de adorno, reserva de riqueza, demonstração de status e meio de transferência de valor.
Um objeto podia, portanto, ser simultaneamente joia, patrimônio e “dinheiro”: uma concepção de riqueza bastante diferente da moeda cunhada europeia, mas comum em diversas sociedades tradicionais africanas.
A atribuição Bamun/Bamum é sustentada pela comparação tipológica com exemplares documentados de Camarões, incluindo peças preservadas e comercializadas por importantes galerias especializadas em arte tribal africana. A forma, a técnica de fundição e os característicos padrões geométricos apresentam forte correspondência com a tradição metalúrgica Bamun.
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