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Moeda de prata, 640 Réis (1701P) – D. Pedro II – Variante REX · E · B · D – Coroa com Florões – Brasil Colônia

Código: 7YT3MUPAP
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640 Réis (1701P) – D. Pedro II – Variante REX · E · B · D – Coroa com Florões – Brasil Colônia

Referências: KM# 90.1–90.3; Bentes# 83.06 (págs. 168–169)


Dados Numismáticos

  • País: Brasil Colônia – Reino de Portugal
  • Monarca: D. Pedro II de Portugal (1683–1706)
  • Ano: 1701
  • Valor Facial: 640 Réis (2 Patacas)
  • Casa da Moeda: Pernambuco – Recife
  • Marca da Casa da Moeda: P
  • Metal: Prata 917‰
  • Peso: 19,39 g
  • Diâmetro: 37,0 mm
  • Espessura: 2,0 mm
  • Bordo: Serrilhado diagonal
  • Variante: REX · E · B · D – Coroa com florões no lugar de pérolas
  • Classificação Bentes: 83.06 – E.1

Descrição Numismática

Anverso: Escudo das armas portuguesas encimado pela Coroa Real. Aos lados encontram-se a data 1701, o valor 640 e elementos ornamentais. O exemplar apresenta a variante de legenda REX · E · B · D e a característica coroa cujos pedículos terminam em florões no lugar de pérolas.

PETRVS · II · D · G · PORT · REX · E · B · D
1701
640

Reverso: Esfera armilar sobreposta à Cruz da Ordem de Cristo. A letra P identifica a Casa da Moeda de Pernambuco.

SVBQ · SIGN · NATA · STAB
P

A Variante REX · E · B · D

As moedas coloniais deste período apresentam diversas diferenças de cunho, especialmente nas abreviações das legendas, disposição dos pontos e elementos ornamentais.

Este exemplar apresenta no anverso a característica legenda abreviada:

REX · E · B · D

A combinação é classificada no Livro Bentes das Moedas do Brasil como Bentes# 83.06, recebendo no catálogo a classificação de raridade E.1.

Além da legenda, a própria construção da coroa apresenta uma característica específica documentada pelo catálogo: seus pedículos terminam em florões, em lugar das tradicionais pérolas ou pontos encontrados em outros cunhos.

O Livro Bentes das Moedas do Brasil ilustra especificamente a coroa da variante REX · E · B · D de 1701P, destacando a presença de florões no lugar de pérolas. Esse detalhe de cunho é claramente observável neste exemplar.

Os Florões da Coroa

Um dos detalhes mais interessantes desta moeda encontra-se na ornamentação da Coroa Real.

Segundo o estudo apresentado no catálogo Bentes, existem variantes nas quais os pedículos da coroa terminam em diferentes elementos ornamentais, podendo aparecer florões, pontos ou pérolas.

Neste exemplar, os terminais apresentam pequenos florões, visualmente semelhantes a quadrifólios ou pequenos trevos de quatro folhas.

Essa diferença pode passar despercebida à primeira vista, mas constitui um ótimo exemplo da riqueza existente no estudo dos diferentes cunhos das moedas coloniais brasileiras.

Nas moedas coloniais, diferenças aparentemente pequenas – uma abreviação, um ponto, uma flor ou a forma de um elemento da coroa – podem permitir a identificação de cunhos e variantes específicas.

Contexto Histórico

Este 640 Réis de 1701 foi cunhado em Pernambuco durante o reinado de D. Pedro II de Portugal, em uma época de profunda reorganização do sistema monetário da América Portuguesa.

A moeda equivalia a duas patacas e integrava o conjunto das grandes moedas de prata utilizadas no comércio colonial brasileiro no final do século XVII e início do XVIII.

A escassez de numerário era um problema recorrente na colônia. Durante décadas, moedas portuguesas circularam ao lado de peças estrangeiras, especialmente espanholas, enquanto diferentes soluções foram adotadas para atender às necessidades do comércio local.

Com valor de 640 Réis, esta peça correspondia a duas patacas. A pataca tornou-se uma das denominações mais características da história monetária do Brasil Colonial.

A Casa da Moeda de Pernambuco

A letra P presente no reverso identifica a Casa da Moeda de Pernambuco, instalada no Recife no início do século XVIII.

A oficina pernambucana teve existência muito breve, funcionando apenas durante poucos anos e produzindo moedas destinadas a atender às necessidades monetárias da região.

Por essa razão, as emissões identificadas pela letra P constituem um capítulo particularmente interessante da numismática colonial brasileira.

A pequena letra “P” possui grande significado histórico: identifica uma moeda efetivamente cunhada em território brasileiro, na Casa da Moeda de Pernambuco, oficina de curta duração no início do século XVIII.

D. Pedro II de Portugal

D. Pedro II de Portugal, conhecido como “O Pacífico”, nasceu em 1648 e assumiu inicialmente o governo como regente de seu irmão, D. Afonso VI.

Tornou-se rei em 1683 e permaneceu no trono português até sua morte, em 1706.

Seu reinado coincidiu com um período decisivo para a história econômica brasileira. No final do século XVII começaram as grandes descobertas de ouro no interior da colônia, especialmente na região que posteriormente seria conhecida como Minas Gerais.

A crescente importância econômica do Brasil produziria profundas transformações no Império Português durante o século XVIII.

D. Pedro II de Portugal, representado nesta moeda pela legenda PETRVS II, não deve ser confundido com D. Pedro II, imperador do Brasil no século XIX. Entre os dois personagens existem quase dois séculos de diferença.

O Brasil no Início do Ciclo do Ouro

Quando esta moeda foi cunhada, em 1701, o Brasil encontrava-se justamente no início da enorme transformação provocada pelas descobertas auríferas.

Durante as décadas seguintes, grandes quantidades de ouro seriam extraídas principalmente da região das Minas Gerais, modificando rotas comerciais, estimulando migrações internas e aumentando enormemente a importância econômica da colônia para Portugal.

A Coroa portuguesa desenvolveria um complexo sistema para controlar, pesar e tributar o metal, incluindo posteriormente as Casas de Fundição e a cobrança do famoso Quinto Real.

Este 640 Réis pertence, portanto, ao momento em que o Brasil começava a entrar no período que ficaria conhecido como Ciclo do Ouro.


640 Réis – Duas Patacas

O valor facial de 640 Réis correspondia a duas patacas, sendo a pataca equivalente a 320 Réis.

A denominação “pataca” tornou-se extremamente popular no Brasil e permaneceu durante muito tempo associada às grandes moedas de prata que circularam na colônia.

Em uma economia na qual a disponibilidade de moeda metálica era limitada, peças de prata desse porte representavam valores significativos nas transações comerciais.


A Esfera Armilar

O reverso apresenta a esfera armilar, instrumento astronômico utilizado para representar os principais círculos da esfera celeste.

O símbolo tornou-se profundamente associado à expansão marítima portuguesa e à Era dos Descobrimentos, permanecendo posteriormente na iconografia do Império Português.

Sua presença nas moedas coloniais reforçava visualmente a ligação entre os territórios ultramarinos e a Coroa portuguesa.


A Cruz da Ordem de Cristo

Sobreposta à esfera armilar encontra-se a Cruz da Ordem de Cristo, outro dos grandes símbolos da expansão portuguesa.

A Ordem de Cristo foi criada em Portugal no século XIV e herdou parte dos bens e da tradição da extinta Ordem dos Templários no território português.

Durante a Era dos Descobrimentos, sua cruz tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos das navegações portuguesas, aparecendo inclusive nas velas das embarcações que atravessaram o Atlântico.

A combinação da esfera armilar com a Cruz da Ordem de Cristo transforma o reverso desta moeda em uma síntese da expansão marítima portuguesa e da formação do mundo colonial atlântico.

Uma Moeda Cunhada no Brasil há Mais de 300 Anos

Um dos aspectos mais interessantes desta peça é sua própria origem.

Diferentemente de moedas portuguesas produzidas na Europa e posteriormente enviadas à colônia, este exemplar foi cunhado em Pernambuco, em território brasileiro, no ano de 1701.

A moeda atravessou mais de três séculos preservando não apenas seus elementos principais, mas também pequenos detalhes do próprio cunho, como os florões presentes na coroa.

Essas particularidades permitem atualmente reconstruir e classificar diferentes matrizes utilizadas pelos gravadores coloniais.


Curiosidades

  • A moeda foi cunhada em 1701, há mais de três séculos.
  • Foi produzida durante o reinado de D. Pedro II de Portugal.
  • O valor de 640 Réis correspondia a duas patacas.
  • A letra P identifica a Casa da Moeda de Pernambuco.
  • Trata-se de uma moeda cunhada em território brasileiro.
  • O exemplar apresenta a variante de legenda REX · E · B · D.
  • É classificado como Bentes# 83.06 – E.1.
  • A coroa apresenta florões no lugar de pérolas, característica documentada pelo catálogo Bentes.
  • Os florões possuem aparência semelhante a pequenos quadrifólios ou trevos de quatro folhas.
  • O reverso combina a esfera armilar com a Cruz da Ordem de Cristo.
  • A moeda pertence ao período inicial das grandes descobertas de ouro no Brasil.
  • Foi chamado de patacão até o início da cunhagem dos 960 Réis, que tomou esse posto.
  • Seu bordo é serrilhado na diagonal.
Cunhado em Pernambuco em 1701, este 640 Réis – equivalente a duas patacas – constitui um testemunho direto da economia do Brasil Colonial no início do século XVIII. Classificado como Bentes# 83.06 – E.1, o exemplar apresenta a variante REX · E · B · D e a característica coroa com florões no lugar de pérolas, detalhe de cunho documentado e ilustrado no próprio Livro Bentes das Moedas do Brasil.

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